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    Paulo Freire na imprensa
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    São Paulo, 24 de julho de 2009.

    Coluna Aquiles Rique Reis

    A música poética e as palavras que carecem ser cantadas estão no livro-CD de Paulo Freire

    Nuá – As músicas dos mitos brasileiros (Vai Ouvindo) é uma obra tão singela, esperta como um anjo de pau oco, quanto a imaginação que voa pelo mundão interiorano. Nela, cada um dos doze causos escritos por Freire e ilustrados por Kiko Farkas tem a sua equivalente trilha sonora a servir-lhe como imagem.

    Paulo Freire, escritor e violeiro, conta causos como quem toca: ágil. Escreve como quem fala: poucas palavras. Viola tocada em acordes ricos e ideias plenas.

    A simplicidade transborda pelas beiradas das cordas e deságua no riacho das palavras. A vivência da sabedoria popular, pairando por sobre jequitibás e jatobás, de onde vem o canto dos pássaros das matas brasileiras. Lá onde habitam os curupiras, que têm os pés voltados para trás; os lobisomens, que bebem sangue; as mulas sem cabeça...

    Nuá, o livro, começa com o causo “A dança dos Tangarás”, que Paulo escreveu, na primeira pessoa, sobre a família de Chico Santos. Pois não é que ela, muito festeira, deu de dançar em plena sexta-feira da Paixão? Pra quê! Uma maldição lhe cai e todos são condenados à morte. Mas é aí que Deus demonstra sua compaixão, principalmente pelas crianças daquela família. Assim, ao morrer, todos são metamorfoseados em cantantes e dançantes Tangarás.

    Nuá, o CD, com grandes instrumentistas e arranjadores, tem início com a trilha da saga da família Santos. Como em todas as faixas do álbum – que está encartado na contracapa do livro –, Paulo Freire toca viola caipira. Proveta fez o arranjo e tocou saxes e clarinete, aos quais se juntaram bombardino (François de Lima), flauta e píccolo (Toninho Carrasqueira), flugelhorn e trompete (Rubinho Antunes) e trombone (Sidnei Borgani). Como os pássaros do causo, eles meio que dançam enquanto tocam a catira. Bateria e percussão, de Cleber Almeida, e baixo acústico, de Zé Alexandre Carvalho, dão ainda mais vida às frases que embalam a dança profana dos Tangarás.

    Nuá, o livro, termina com “Quibungo e medo grande”. Um texto bem-humorado e safadinho sobre as mãos juvenis e os braços da alma penada, que o agarram e prendem à cadeira. Pânico! Mas uma cigana lê em sua mão que o destino lhe reserva cura para tanto pavor: achar um grande medo, para impor à alma penada medo maior do que o medo que tanto medo ela lhe causa.

    Nuá, o CD, termina com o Grupo Sonax e suas singulares “esculturas sonoras” se lixando para a fobia. As violas de cocho e caipira, nas mãos de Paulo Freire, dão musicalidade à aridez proposital dos sons percussivos e metálicos do Sonax. Um estranhamento musical compatível com as histórias tocadas e contadas com a fluência que Freire tem para ler a alma dos mitos que aqui nasceram para definitivamente existir.

    Prosa poética, música a ser contada e ecoar por repentistas e contadores de causos que espalham imaginários aos quatro cantos, assim é Nuá – As músicas dos mitos brasileiros, de Paulo Freire.

    Aquiles Rique Reis, músico e vocalista do MPB4